Entre meus devaneios parei para me lembrar da nossa conversa. Um trecho dela que ficou ecoando na minha cabeça. Poderia falar que não, que era tudo um exagero mas, dentro de mim, algo sambava e me fazia querer lutar contra. "Você não me trata como um ser humano...você me trata como o último deles, como se a continuação da raça e a sua vida dependesse de mim, como... se você estivesse a anos se sentindo a única pessoa viva na terra". E era exatamente isso, no fundo eu sabia. Há tempos me sentia como se fosse a única sobrevivente, mesmo cercada de gente, mesmo na multidão. E mesmo tentando negar ao máximo que isso tudo é verdade, para não parecer uma dependência demais de mim sobre você, ao mesmo tempo não conseguia mentir, falar que era exagero. Eu me apoio toda nesse sentimento. Inteiramente. Totalmente sua. E se um dia eu vir a cair, sei que não restará nada além de cacos bem espatifados ao chão. Daqueles que não darão nem para ser juntados, de tão tamanha foi a queda e a intensidade da força com que se quebrou, como se uma parte de mim tivesse sido arrancada, morta.
31 de maio de 2011
30 de maio de 2011
O diario de uma otaria - capitulo 11
26 de junho de 2010
Histórico de MSN: Só serve pra você se arrepender de ler aquilo que te trouxe dor e te fazer sofrer mais uma vez. Só essa utilidade que vejo pra isso.
O ex querido da minha amiga, engajou uma conversa por recados comigo, e não é que ele é até gente boa? Me perguntou sobre a faculdade, amigos, festas... e por fim pediu meu msn. Passamos a tarde toda conversando. Isso, a tarde toda. Tipo da uma da tarde até as 6.
- Ooooi, tudo bem? - Rodrigo veio puxando assunto. Posso pular essa parte, né?
Respondi devidamente, e assim, começamos a puxar certos assuntos particulares.
- Sabe, uma das coisas que eu mais gostei em você, além do carisma, foi seu sorriso. Ele é muito lindo. E você também, muito linda.
- Ahahahaha, obrigada, Rodrigo. Eu vi seu comentário na minha foto.
O engraçado que, com essa frase, algo mexeu comigo. Como se despertasse algo adormecido, como que aquecesse aquilo que estava em fagulas, como se queimasse, ardesse, acendesse e incendiasse. Não sei porque, mas ao ler essa frase, meu dia foi do -16 pro 200.
E, assim foi... a cada 5 assuntos, ele meio que me jogava uma indireta. Ou uma direta. Não cansava de me elogiar e falar o quão bonita eu era, e que, em particular, o meu sorriso era o mais bonito que ele havia visto até hoje. Sugeri, então, para que ele falasse comigo pessoalmente. E, por algum motivo, achei ele meio receoso, no momento em que li "hum.. sou muito tímido, não sei se eu teria essa coragem toda... mas me passe seu celular...". Eu, toda boba e feliz - sim, feliz - passei o meu número e ele me passou o dele. Depois dessas 5 horas conversando direto, resolvi fazer algo útil de minha vida. Na verdade, até fiquei supresa, por esse dia não ter pensando em Jake em momento algum. Não ter sequer sentido falta. Era como se algo tivesse sumindo e desaparecendo, aos poucos... Era como se a conversa desse dia com Rodrigo, tivesse feito um bem enorme para meu ego e auto estima. Como se uma neblina tivesse passado e estava dando lugar ao sol. Aquele peso de minhas costas e minha consiciencia indo embora. Me senti tão feliz, que resolvi dar uma volta com meu cachorro na rua. Os dias estavam ficando longos e com uma temperatura agradável. Por um momento até refleti se Rodrigo estava conseguindo substituir Jake, porque, ao menos, era o que parecia. Mas algo me puxou pra realidade, quando lembrei que Rodrigo era o ex de Anne. Sem cogitar duas vezes, assim que cheguei em casa, comentei com ela sobre o que estava acontecendo. E pra minha surpresa, ela desejou que eu fosse feliz e que fizesse bom aproveito, porque ela não aguentava mais ele.
E aproveitando o assunto, perguntei algumas coisas sobre ele... e ela me contou coisas das quais fiquei com medo, coisas as quais já fiz, mas fiquei com um receio dele fazer. Receio, de, sei lá, ele desaparecer. Ao mesmo tempo, em que a gente estava ficando bem próximos, eu tinha a sensação que ele poderia desaparecer sem deixar vestígios. E espero mesmo, que seja somente uma sensação ruim...
- continua -
29 de maio de 2011
Coisas alheias...
Domingo ensolarado, e aquele frio que me faz querer um copo de chocolate quente e cobertas. Meias coloridas e reflexões. Ah, meus dias agora parecem que não são mais os mesmo se eu não leio a frase "vou pegar um café". Parece que não são mais os mesmos, se eu não tiver o seu apoio. Que preciso sentir o calor de suas mãos gélidas em minha pele, contornando a extensão de meu corpo, para que eu possa acreditar que isso é real. Preciso dos seus beijos, que apesar de calmos, são intensos e transmitem sua vontade. Preciso de abraços. Preciso sentir minha pele se arrepiando ao seu toque, minhas mãos puxando seus cabelos, minha boca brincando com a sua, o choque das línguas, e o desejo. Preciso ver seu olhar bobo, sua mão em meu rosto. Preciso de momentos de descontração. Preciso de coisas, que podem ser julgadas insignificantes, mas que completam meus dias, e que sem elas, estes são tão inúteis, demorados, cansativos, e parece que há uma lacuna, um espaço vazio quando não vejo seu sorriso. Ah, seu sorriso...
28 de maio de 2011
Dilemas #2
Outro grande dilema de mulher, acredito eu, seja o cabelo.
Convenhamos, NUNCA estamos de bem com ele. Liso, crespo, ondulado, vermelho, loiro, castanho, curto, comprido, megacurto, megacomprido, chapinha, secador, baby-liss... nunca sabemos o que fazer, como deixar e que cor queremos.
O dilema começa de manhã, logo quando você acorda... o cabelo tá aquela merda. Armado, emaranhado. Particularmente, eu tenho um certo problema, já que tem dias que nem com chapinha eu ACHO que meu cabelo fica bom, então o que me resta é aquele velho e conhecido amigo, o rabo-de cavalo. E, é nesses momentos, que você se olha no espelho e pensa que tem que mudar algo. Além do dilema da academia, você acha que seu cabelo está uma droga. Cogita em mudar a cor, "hum, que tal um vermelho? Não... acho que vou descolorir... ah não, vou fazer californianas... Foda-se vou fazer mechas azuis, e cortar bem curtinho."
Aí você marca com seu querido cabeleireiro... ou então, como eu, muda de cabeleireiro assim como muda de roupa... mas enfim, você marca e fica toda ansiosa. Você vai começar uma mudança, mesmo que seja bem pouco, mas será uma mudança; cria expectativas, pensa que ficará até mais atraente.
E quando chega o referido dia, na referida hora, e você vê o cabeleireiro com a tesoura e com cara de maníaco do cabelo e começa a ler o pensamento dele 'vou te deixar careca', começa a tremer, suar frio e quando você está quaseeeeee desistindo, você lembra de toda a mudança e do bem que ela te proporcionará. Manda o cabeleireiro não ter dó e passar a tesoura. Seu cabelo, que estava quase na bunda, fica acima dos ombros, num corte totalmente repicado e com uma franja. No começo, até dá uma dor no coração quando você vê pedaços enormes das madeixas caindo... mas depois você se costuma com a sensação.
Depois de escovado, e de ter deixado metade de seu salário/mesada e afins lá, pisa pra fora do salão se sentindo a diva. Mas... uma semana depois, você vai acordar numa segunda-feira, se odeiando, xingando meio mundo, seu cabelo vai estar em pé e aí vai desejar mudar de novo, só que agora, você tem que conviver todos os dias com seu cabelo super curto, todos os dias, armado, até que ele cresça e você possa mudar de novo. Eita, ciclo vicioso.
N/A: A autora adora cabelos curtos, e convive com esse dilema a vida toda.
27 de maio de 2011
Tardes de outono
Tardes de outono me lembram cabelos ao vento, sorriso bobo no rosto. Me fazem acreditar que tudo tem um gosto doce que nem brigadeiro. O vento gélido me faz querer um abraço a mais, o frio da noite me faz te querer por perto. Tardes de outono com pessoas ao redor. Deixa estar. Quem liga? Eu não as ouço, e você? Tardes que, me fizeram acreditar num mundo melhor; na falta dolorosa que alguém pode fazer. Sim, dói demais, quando você precisa de alguém, e ela não pode, naquele momento, estar do seu lado. Tardes de outono que me mostraram o quão verdadeiro algo pode ser. Ah, essas tardes... aqueles sorrisos, aquelas brincadeiras, conversas jogadas foras, mas não jogadas fora. Mãos com o encaixe perfeito. Abraços com o encaixe perfeito. Beijos que se completam. E o mundo para. Tardes de outono, que nunca imaginei que seriam tão significativas, que poderiam ter valores. Ter ansiedade, ter muita saudade. Pernas bambas e um coração acelerado. É paixão? É amor? Atração? É tudo.
24 de maio de 2011
O diario de uma otaria - capítulo 10
24 de junho de 2010
15 festas. Foi isso que eu recusei até agora. 15. Eu não acredito ainda em como estou conseguindo. Às vezes acho que é um ponto meio insano que existe em mim, que me fez querer mudar. Festas que em todas o Jake vai, e eu poderia me aproveitar dessa situação para tentar me aproximar 15 vezes. Mas, não. Algo dentro de mim, agora, prefere ficar em casa, fazendo qualquer outra coisa, do que ir lá, e saber como a noite vai terminar. Mas enfim. As férias estão chegando e isso me anima um pouco.
E também, faz quase 15 dias que comecei a academia, e está me fazendo um bem danado, ao menos, eu estou gostando bastante e o pessoal de lá, além de acolhedor, são super gente boa. Nesse tempo, eu esqueci de comentar aqui, eu conheci um garoto, e posso dizer que estamos bem amigos mesmo. Gustavo. Mais idiota que ele, impossível. Todo alegre e com um estilo particular, amante de Beatles, ele me arranca boas risadas e os momentos ao seu lado são bem agradáveis. Eu me sinto bem perto dele. Apesar de que a cada 10 palavras que ele fala, 11 são xingamentos referidos a minha pessoa, posso dizer que ele tem se tornado um grande amigo, ou o meu melhor amigo.
Daniel, que é amigo de Gustavo, fica me ligando ainda e tentando fazer eu voltar atrás das minhas decisões. E parece que, quanto mais grossa eu sou, mais ele gruda. Que saco! E, claro, por eu ter tido algo com o Daniel, é mais um ponto para que o Gustavo fique me zoando... Na verdade, me pergunto o quê ele não me zoa... já que tudo faz piada. Mas apesar desse jeito, os conselhos dele são ótimos, e ele é um ótimo ouvinte.. não que minha vida seja um livro aberto, mas pra ele eu me sinto segura de falar coisas que eu normalmente não falaria com ninguém. Ou quase ninguém, já que única amiga mesmo que eu confio, eu conheço desde os meus 6 anos.
E por falar nela... hoje quando entrei na minha página de relacionamentos (achei chique falar assim), vi que o ex dela me adicionou... Pelo que me lembro de Anne comentando, ele deve ser um pé no saco e um pouco idiota. Mas pela lei da boa vizinhança, eu adicionei, e mandei um recado, avisando do feito. Mais um pra fazer volume na página de amigos...
- continua -
23 de maio de 2011
O diario de uma otaria - capítulo 9
30 de maio de 2010
Acho que, durante todo esse tempo, não comentei bem o que eu e Jake somos. Na verdade, acho que ando evitando ao máximo de falar dele. Mas acho que ficar guardando tudo isso pra mim, não dá mais. Conhecemos-nos na escola. Duas crianças. Conhecemos-nos brigando já. Do nada, aquele pivete arrancou minha apostila da minha mão e saiu correndo, e eu sai correndo atrás dele gritando. Chamamos muita atenção na escola, já que todo mundo via dois pivetinhos correndo e uma louca gritando "Desgraçado, devolve minha apostila". Mas enfim, depois de um tempo ele acabou saindo do banheiro e me devolveu a apostila e falou "Oi sou o Jake e você, quem é?". A partir daí ficamos amigos. A partir da proximidade, minhas pernas começaram a tremer cada vez que eu via aquele menino com cabelos espetados. Meu coração palpitava dentro do meu peito. E eu não sabia que raio de sentimento era aquele.
Houve uma viagem, me lembro pouco, mas desse pouco me lembro de quanto ficamos juntos aquele dia, das brincadeiras e das risadas. Lembro-me da volta pra casa, num ônibus apagado e nós dividindo o mesmo banco. Lembro-me de uma conversa banal, e uma proximidade sem tamanho. Lembro-me de nossos rostos de aproximando lentamente, sentia a respiração dele batendo em meu rosto, sentia ele se aproximar de mim, mas tão próximos... Que o ônibus parou bem na hora H, as luzes se acenderam, e ai já era.
Lembro-me de conversas no MSN, e de uma vontade de ter ele pra mim. De beijar ele. De sentir ele. Lembro de uma feira de conhecimentos que fizemos juntos. Lembro das idiotices. Lembro de que, seu perfume me enfeitiçava, o cheiro dele impregnava o ambiente, e me deixava tonta. Eu tentava, de tudo mesmo, me aproximar mais, e fazê-lo perceber que eu poderia fazer ele feliz. Durante todos esses anos eu tentei AO MÁXIMO. Mas cada vez que eu tentava direta ou indiretamente, a gente brigava, e ele me bloqueava no msn, me ignorava pessoalmente. Vê-los todos os dias e ser desprezada, partia meu coração. E quando ele parava de fazer essas coisas, e voltava ao normal, eu voltava a sentir meu coração aquecido e minha tremedeira das pernas. Mas durava pouco, porque, ou ele voltava a me ignorar, ou para conversar sério, falando que gostava de outra, que eles estavam ficando. Ele não se importava comigo, era o que eu pensava.
Por um milagre divino, não sei, acabamos ficando... Foi o melhor momento de minha vida. Mas também as piores conseqüências. Briguei com algumas pessoas por causa dele. Afastei-me, perdi a confiança. Ele, pra variar, me tratou "mal", não se importou de quebrar meu coração mais uma vez. O que pisotear no que já está quebrado mesmo?
Pergunto-me, o por que disso tudo, sabe? Se nunca quis nada, por que, às vezes, alimentava uma esperança mínima? Por que ficou comigo?
E desde então, tento me manter afastada. Tentei ficar com outros, tentei um relacionamento, mas nada deu certo.
Como que a gente pode amar alguém que só faz mal? Que só nos deixa na pior, sem auto estima? Por que diabos, quanto mais queremos e precisamos esquecer alguém, mais lembramos e nos sentimos atraídos a ela?
- continua -
22 de maio de 2011
Dilemas #1
Acredito que todo o dilema de uma mulher é comprar roupas. Digamos que, eu sei bem o que é isso.Você acorda cedo no final de semana – meus únicos dias disponíveis – seu cabelo está uma droga, tudo armado. Você está com sono e com frio. E, na pior das hipóteses, na TPM. É pedir pra matar alguém.
Vai até seu guarda roupa, escolhe a primeira combinação que está na sua frente, prende o cabelo um rabo de cavalo, pega o essencial – ler: a mala que toda mulher carrega de tudo dentro – come qualquer coisa e parte. Chegando ao seu destino (shopping ou o centro da cidade) começa o dilema: LOJAS. Que loja entrar? Por via das dúvidas, a gente sempre entra em todas na esperança de ter “uma coisa que eu goste” lá, ou até mesmo para “dar uma olhadinha, depois eu volto”.
Um blusa, uma calça, outra blusa, uma jaqueta, um sapato, outra blusa, outra calça, um vestido, uma saia, um shorts, mais blusa, mais calça, outro sapato... e assim vai. Você parece um guarda roupa ambulante no meio da loja, até que aparece aquela mocinha, com uma sacola tamanho família falando pra você colocar suas escolhas lá, para ter maior comodidade e conforto na hora da escolha. E você passa horas nisso. HORAS! Pra chegar na hora decisiva: o provador. Essa parte, pra mim, é um martírio. Você despeja o quilômetro de roupas dentro do minúsculo provador, tira a sua roupa, que tem que jogar por cima da porta (ou daquele ferro da cortininha), porque não há mais espaço pra colocar elas nos penduradores...
- Vamos começar pela calça – é o que você fala, pegando aquela, sim, aquela que você maaaaais gostou. Uma perna, outra perna, e vai, puxa, puxa, puxa – respira – tem que passar pelo quadril, e para que isso aconteça você começa a fazer aquela dancinha da centopéia. Remexe pra um lado, remexe pra outro, encolhe a bunda, puxa e pula, puxa e pula, puxa e pula. Ok, pela bunda, depois da dancinha do sufoco, ela passou, agora é outro dilema: o botão fechar. Respira, respira. Murcha a barriga e prende a repiração. Uuuuuuuh, quase. Vamos, de novo: Murcha a barriga e se encolhe toda. Quase tropeça na pilha de roupas e cai de cara no espelho. Mas valeu a pena a calça fechou. Menos mal, me recuso a pegar um número maior. ME RECUSO! OH MY GOD COMO ESTOU GORDA! E é nessa parte que você lembra do fast-food no meio da semana, as trufas, o brigadeiro à noite em seu momento de carência... e faz milhares de promessas que irá começar o regime de saladas na segunda, mesmo sabendo que você não vai levar adiante. Depois da calça, você parte pras blusas. Todas M. TODAS. Prova uma, fica justa que você nem respira, e marca aquela gordurinha ali do lado, o que você não acha nada atraente. Ok, tira ela e joga num canto, parte pra outra, que nem entra. E você desanima, acaba desistindo de provar o resto pensando “eu nem gostei muito daquelas, mesmo”. Veste sua roupa, arruma o cabelo, pra não sair parecendo uma louca, que perdeu uma batalha. Recolhe toda a pilha de roupa jogada, deixa com a mocinha do provador e sai levando aquela calça que vai ser um sufoco pra vestir todos os dias, só pra não dar o braço e compra rum número maior e não sair de mãos abanando...
E vivemos nesse ciclo vicioso. Tudo que você queria era ficar linda, que nem aquelas modelos da capa da revista... mas você se xinga por ter coxas grossas, uma bunda um pouco grande e aquela barriguinha tão indesejável. Mas mulher de verdade mesmo, tem uma barriguinha, celulites e estrias... esses padrões são tão ridículos. E viva ao tamanho 44. ;)
21 de maio de 2011
O diario de uma otaria - capítulo 8
22 de maio de 2010
Aquela tristeza maldita voltou. Agora, escrever aqui é como se fosse uma NECESSIDADE. Algo que eu realmente preciso fazer no meu dia. O engraçado foi que, até o Dr. Romeu elogiou o que eu escrevo, falou que eu faço parecer uma história de verdade, e que eu deveria investir nessa carreira e mais pra frente escrever um livro. Meus encontros com ele estão ficando cada vez mais espaçados, o que faz que ele tenha que ler umas páginas aleatórias. Me surpreendi quando ele pegou o diário, abriu e falou 'Uau! Você realmente gostou dessa ideia'. Mas a questão não é isso, não é só gostar, é colocar tudo pra fora. Enfim, ando meio sem vontade de fazer algo, e ouvi meus pais conversando sobre "Como a Julie anda depressiva". Não estou em depressão, mas ultimamente eu só quero ficar na minha. Acordo, tomo café, vou pra faculdade, volto, como, estudo, faço qualquer coisa e quando me deparo já finalzinho de tarde. Paro para fazer um balanço de quão produtivo meu dia foi, e chego a conclusão de sempre: nada produtivo. Essa coisa de nada mudar, e nada ser produtivo, realmente me deixa triste.
Bom, ando seriamente pensando em entrar numa academia, já que eu odeio meu corpo. Odeio o fato de ser gordinha e as pessoas me incriminarem por isso. Odeio o fato de ninguém me achar atraente. Então, resolvi ir atrás de uma; acho que isso vai fazer um pouco bem para mim. Mas também, morro de vergonha de ir à uma academia. Você sabe, sempre vai ter aquelas garotas que tem o corpo perfeito se achando e querendo te fazer inveja de quão perfeito o corpo delas são. Mas paro pra pensar... se fosse realmente perfeito, elas não estariam ali, certo?
Perto da escola da minha irmã, há uma academia só pra mulheres. Vou lá qualquer dia.
Ah, aquela escola... estudei lá também. Posso dizer que foram anos legais, mas tive uns bem... chatos, se essa é a palavra. Eu sinto falta das pessoas, que eram minhas amigas, das brincadeiras, das conversas, dos segredos. Sinto falta de sentar todo mundo na escada, depois da prova e olhar um com mais cara de desespero que o outro. Sinto falta daquele ambiente escolar, daquelas pessoas acolhedoras. Das loucuras e comentários insanos. Da ingenuidade. Sinto falta de quando eu ia chorar no banheiro, me esconder lá e alguém ia atrás de mim e me abraçar. Sinto falta do meu grupo de amigas. Aquelas que eu conheço há tanto tempo, que crescemos e compartilhamos tudo juntas. Costumávamos ser um grupo, costumávamos sair, costumávamos se importar uma com a outra... mas de uma hora pra outra isso se dissipou. Sumiu, está ficando longe, distante, como se nada mais importasse. Como se cada uma não passasse de uma estranha. Eu sinto tanta falta, tanta falta mesmo. Falta de combinar algo pra sair, só pra comer algo e se divertir com coisas mínimas. Falta de assistir filmes. Falta de quando só a presença já contava. Crescer é meio doloroso. Parece que a realidade dá um tapa em sua cara e você acaba caindo em si, e percebendo que no mundo você está sozinho com as pessoas indo cada vez mais em direção oposta de ti. Me sinto substituível e descartada facilmente.
Oras, era pra eu me sentir assim em relação às amizades ditas que eram pra sempre? Era pra gente passar de grandes amigas à meras conhecidas? Por quê ninguém mais se importa? Por quê não agrada mais?
Acho que essas são perguntas sem respostas.
- continua -
20 de maio de 2011
Pensando bem...
Sabe, nesses meses todos, eu aprendi que o amor pode ser conquistado. Que a saudade dói mais que se imagina. Que dificuldade, quando se tem alguém do lado dando apoio, passa a ser mais suportavél. Aprendi que temos que aproveitar cada mínimo detalhe, cada cada risada, cada sorriso, cada toque, cada beijo e cada simples momento. Aprendi que, quando a gente ama mesmo, não importa hora ou lugar, só se quer saber se a pessoa está bem. Que no frio, você só vai desejar alguém do seu lado para te abraçar; que em outros momentos, tudo que você quer sentir é ela. Vai desejar que, em cada conquista ela esteja do seu lado, e que – pode até parecer muita depência em uma pessoa mas, em momentos de derrota, você só vai desejar ela do seu lado para te consolar.
Aprendi que, o amor cresce. Nunca fui muito de acreditar, depois das minhas desilusões. Acreditei várias vezes que o amor existia, e que era para deixar as pessoas felizes. Mas, não é assim. O amor existe para a gente quebrar a cara, e nos preparar para o momento certo. Para a pessoa certa. Ela não vai ser exatamente como você sonhou. Ela não vai ser aquela pessoa que você estereotipada. Ela vai aquela que te surpreenderá em pequenas coisas, e que você ficará orgulhoso de falar ‘é meu/minha’. Que você vai amar cada simples detalhe nela, coisas inotáveis. E você vai amar o fato dela te fazer feliz e amar também, o fato de você fazer ela duas vezes mais feliz.
Engraçado esse negócio de amar. Não é sempre fácil, assim como um problema matemático, mas às vezes é tão simples como um sorvete de morango.
Aprendi que, o amor cresce. Nunca fui muito de acreditar, depois das minhas desilusões. Acreditei várias vezes que o amor existia, e que era para deixar as pessoas felizes. Mas, não é assim. O amor existe para a gente quebrar a cara, e nos preparar para o momento certo. Para a pessoa certa. Ela não vai ser exatamente como você sonhou. Ela não vai ser aquela pessoa que você estereotipada. Ela vai aquela que te surpreenderá em pequenas coisas, e que você ficará orgulhoso de falar ‘é meu/minha’. Que você vai amar cada simples detalhe nela, coisas inotáveis. E você vai amar o fato dela te fazer feliz e amar também, o fato de você fazer ela duas vezes mais feliz.
Engraçado esse negócio de amar. Não é sempre fácil, assim como um problema matemático, mas às vezes é tão simples como um sorvete de morango.
10 de maio de 2011
O diario de uma otaria - capítulo 7
5 de maio de 2010
- Eu estou pedindo um tempo - eu exclamei mais alto do que devia, fazendo com que várias pessoas nos olhassem - E VOCÊ NÃO PARECE ENTENDER! Não me deixa em paz um minuto, fica ligando, fica atrás, fica vindo aqui, fica me chamando pra sair. Oh meu Deus, 47 ligações em menos de uma HORA!
- Julie... eu não consigo explicar, você...
- Daniel! Você me sufoca! Preciso de um tempo pra mim! Além de ficar pressionando pra eu ir pra cama com você! EU NÃO QUERO, DÁ PRA ENTENDER ISSO, PORRA?
- Julie, eu amo você...
- Você pode me amar... - eu ia continuar a frase de uma maneira bem estúpida, mas me contive - eu sinto um grande carinho por você, gosto de estar com você e de te ter como amigo...
- Amigo? - Ele interrogou chegando mais perto de mim, e colocando as mãos em minha cintura.
- É, amigo.
- É SÓ isso que me considera?
- Daniel, presta atenção. Eu pedi um tempo, eu, eu - sentia meus olhos se encherem de lágrimas. DROGA, por quê eu tenho que ser uma manteiga derretida mesmo? -, eu não quero perder o contato com você, ficar junto é bom, me faz bem.
- Mas você quer ser só minha amiga. Julie, pra mim, você é a mulher de minha vida.
- PELO AMOR DE DEUS! ESTAMOS JUNTOS A UM POUCO MAIS DE UM MÊS E VOCÊ TA FALANDO QUE SOU A MULHER DE SUA VIDA? ME POUPE - Me desvencilhei dele, e sai andando. Engoli meu choro. Por mais estranho que pareça eu REALMENTE queria continuar amiga dele. Como amigo, pra mim, ele era ótimo. Por isso, no meu ponto de vista, não tínhamos química. Era mais ou menos como se eu estivesse beijando meu melhor amigo. Mas continuar desse jeito, não dava.
- Julie, é o que eu sinto.
- Você pode sentir isso tudo. Mas é improvável.
- Não é. Julie, eu realmente queria ser o seu primeiro home..
- Ah, não. Me poupe por favor! Daniel. Não dá mais, não estamos dando certo. Não sinto tesão por você, entende? Não sinto atração, vontade de beijar. Não sinto. VOCÊ É UM GRANDE AMIGO PRA MIM. E SÓ. - Eu e minha incontrolável maneira de dizer as coisas sutilmente...
Não sei bem ao certo o que se passou depois. Eu comecei a chorar, ele me abraçou e me deu um beijo. E saiu andando. Eu sei, fui bem ridícula na hora de terminar tudo, mas era o que eu estava sentindo, e continuar nessa brincadeira de faz de conta não estava me fazendo muito bem.
No fim daquele dia, eu ja me sentia bem melhor, como se tivesse, talvez, tirado um grande peso de minhas costas... ou não. Mensagens e ligações continuaram a insistir num impossível volta no relacionamento. Mantive minha opinião forte. Por mais que eu quisesse esquecer o Jake, eu não poderia fazer isso comigo. Teria que simplesmente acontecer, e aos poucos. Forçar um amor é a pior coisa pra se fazer. Sei que poderia ter tentado mais, me esforçado mais... mas eu estava no meu limite mesmo.
Ao chegar em casa, me livrei de tudo que ele tinha me dado. Ou quase tudo. Só preservei um bichinho de pelúcia, já que o coitadinho não tem nada a ver com a minha decisão, e como gosto de bichinhos de pelúcia, ele ficou. Mas foi o único. Esse relacionamento foi um erro, assim como alguns anteriores. Assim como gostar de Jake. Que, por acaso, e por um milagre divino, me desbloqueou no msn (isso é uma coisa bem frequente, segundo ele, "a ausência te ajudará a me esquecer" ou então é porque brigamos demais... ou brigávamos), e veio conversando comigo querendo saber o porque do fim do término do meu relacionamento. Minha vontade era de dizer: Seu idiota, foi por sua causa, você não percebe?
- continua -
9 de maio de 2011
O diario de uma otaria - capítulo 6
30 de abril de 2010
"E as noites parecem ser mais frias que de costume. Minha pele arrepiada, sentia aquele vento. Um vazio, não sei de onde vinha ou surgia, mas mesmo sendo vazio, causava uma dor. E eu não conseguia me entregar de alma e coração para aquilo que eu tentava. Eu precisava de algo em meu corpo. Precisava senti-lo aquecido, de algo que fazia meu sangue reaquecer. Mas tudo parecia pedra e gelo. Seco."
Meu "relacionamento" com Daniel, de verdade, não é um relacionamento. Pelo menos pra mim. Ok, me mantém a maior parte do tempo ocupada (quando não estou estudando) mas eu não consigo me entregar. É como se faltasse química. E mesmo tentando na física, não dá. O pior nem foi isso. Foi que, em um mês, - meu Deus, um mês! - ele já fez juras de amor eterno, com cartões, flores, presentes, chocolates... Meu Deus, onde eu estava com a cabeça de ter começado isso? Ah, sim, bêbada. Ele seria o homem do sonhos de qualquer mulher, ser paparicada, mimada, ter presentes e juras de amor... mas pra mim, juro, me dá náuseas. E vontade de fugir. Mas isso é com ele só. Só de olhar o cartão - brega - que ele me deu - nossos nomes escritos dentro de um coração, e embaixo, amor eterno - tenho vontade de sei lá, sair gritando "NÃO". Sem contar aquelas tentativas de poesias... "Rosas são vermelhas, violetas são azuis.. blá blá blá". BLÉ! Sai.
Enquanto isso, eu fico idealizando coisas, não de amor meloso, mas um amor companheiro, ao lado de Jake. Ficar abraçados, sem falar nada, somente sentindo a presença um do outros. Não quero presentes a toda hora, ou juras de amor, quero carinho, respeito, atenção. É pedir muito? Quer alguém que se ama do seu lado? Às vezes me sinto tão ridícula, de viver pressa nesse amor não correspondido que acabo chorando de raiva de mim mesma, que faço de tudo pra sair, ligo pra quem vier em primeiro a minha mente, chamo pra ir num lugar insano para nos embebedarmos... mas claro, quando estou pronta e saindo de casa... lembro que não posso. MAS EU QUERO TANTO, mas não posso. E vivo nessa batalha interna. Estou me controlando ao máximo pra não ter uma recaída, de não ter que parar numa clínica de reabilitação. Não quero isso pra mim... mas lembrar do gosto do álcool em minha boca, e dele descendo pelo meu esôfago e me aquecendo e me deixando mais solta, me atraía muito. DEMAIS. E eu realmente tinha uns surtos, e ficava andando pra lá e pra cá no meu quarto, até que meu celular tocava, e era a 46ª ligação que eu recusava de Daniel no dia. E viver nessa batalha me deixa tão exausta, que parece que não tenho forças pra mais nada. A minha vontade é de ficar deitada na cama sem fazer nada o dia todo, todos os dias. Porque eu levanto já sabendo como o dia vai terminar. Já sabendo que nada vai mudar. E que não tem porque ter esperanças.
Ok, 47ª ligação de Daniel. Vou atender, pra mim já deu.
- continua-
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