16 de julho de 2011

Coisas alheias #6: Redundant

O celular tocava tal música. Era 5h50min da manhã. Ela acordou, levantou meio cambaleante. Tateou a parede até achar o interruptor. Foi cega pela luz. Passou as mãos nos cabelos bagunçados. Suspirou. Seu dia seria mais uma vez rotineiro mas tentou não pensar muito na rotina logo pela manhã. Arrumou a cama, vestiu-se rapidamente; estava frio. Foi ao banheiro, lavou o rosto, puxou os cabelos bagunçados para trás fazendo um rabo-de-cavalo alto. Olhou-se no espelho:
- Que bosta.
Seguiu para a cozinha, tomou seu café da manhã em silêncio. Foi para o quarto, passou perfume, colocou uns cinco livros na mochila; retirou os fones de ouvido da gaveta, plugando-o no celular. Foi ouvindo música até a escola. Avistou ele, chegando ao local ao mesmo tempo em que ela. Sorriu sentindo arrepios. Prestou atenção em cada aula, anotando o necessário. Às vezes sua mente viajava em pensamentos. Viajava para o rosto do outro. Para o sorriso do outro. Respirou pesadamente voltando à atenção na aula. Bateu o sinal. Mais um dia estava indo. Em casa, comeu, viu as novidades na internet. Tinha esperança de algo novo. Estudou. Olhou no relógio. Trocou-se, foi à academia ouvindo sua banda favorita. Suou. Voltou para casa, cansada, ouvindo sua banda favorita. Tomou banho. Ligou o computador, conversou um pouco. Comeu. Secou o cabelo. Estudou, quebrou a cabeça e fundiu seu cérebro. Depois, começou a conversar com algumas pessoas no MSN; surpreendeu-se com uma. Qualidades nunca antes reveladas a surpreendeu. Tentando fazer algo diferente para sua coluna, pediu ajuda pra um amigo, e eis que ele sugeriu que ela falasse sobre cotidiano. A criatividade apareceu. Escreveu dois textos para sábado, escolheria o melhor depois.  Sorriu. Ah, esse sentimento. O dia estava acabando e ela estava desejando que o amanhã fosse melhor. Desejando que ele a notasse; desejando algo novo. Despediu-se com “um beijo” para o melhor amigo, um “até amanhã” para a amiga e com um “boa noite, se cuide e…” uma frase incompleta, para o outro. Apagou as luzes. Deitou-se. Virou de bruços puxando as cobertas até suas orelhas. Respirou fundo. O sono a embalou e junto com ele veio os sonhos. Sonhos bons, sonhos ruins, sonhos sem fim. Mas no fim, ela estava correndo para encontrar algum lugar; corria para uma luz daonde também vinha uma melodia conhecida. Corria e sorria. E a cada passo o som ficava crescente. O celular tocava tal música. Era 5h50min da manhã. Ela acordou, levantou meio cambaleante. Tateou a parede até achar o interruptor. Foi cega pela luz. Passou as mãos nos cabelos bagunçados. Suspirou. Seu dia seria mais uma vez rotineiro…

“We’re living in a repetition. Content with the same old stick again. Now the routine’s turning to contention, like a production line going over and over and over, roller coaster.”

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