26 de março de 2010

If I could, I would change the fate III

(Coloquem pra carregar Wherever you'll go - The Calling)

Quase quatro anos se passaram. Quase quatro anos sem sentir o cheiro de sua terra, de ver as pessoas costumeiras de Londres; de sentir o conforto de sua casinha. Como sentiu saudades de tudo. E depois de tanto tempo, estava fazendo o caminho de volta. Lembranças também estavam voltando, mas preferia não querer lembrar. Estava com a cabeça encostada no assento do avião, observando o lindo pôr-do-sol de Londres.
Mais alguns minutos e estaria em um táxi, de volta ao seu bairro, a sua casa, a sua cama. Os tempos da faculdade passaram tão rápido! Sentiria saudades também, mas não tanta como sentia de sua antiga vida.
O avião posou, levantou-se, pegou a mochila, e se dirigiu para a escada. Descia, degrau por degrau pensando nem nada. Quando chegou ao último degrau, uma vontade louca de gritar e chorar surgiu em seu peito, mas se conteve. Não iria passar por louca. Saiu do local de desembarque, foi para o aeroporto pegar suas malas, e ver se acharia algum táxi livre. Ela havia voltado pra casa uma semana antes do previsto, mas achou que seria legal fazer uma surpresa.
Depois de um tempo perdido, o céu começou a ficar nublado. A chuvosa Londres havia voltado a sua rotina.
Um táxi parou a sua frente, abriu a porta de trás, jogou as três malas lá dentro e se jogou com a mochila e tudo. Passou o endereço pro senhor, e logo estava pro caminho de sua casa.
O táxi passava por prédios e casas, ruas movimentadas, praças. Estava chegando perto de seu destino. Semáforo fechado. Olhou para o prédio que estava a sua esquerda, reconhecia aquele prédio. E a mais ou menos, oito quadras dali, havia uma praça, uma velha e conhecida praça.
Balançou a cabeça para que as lembranças fossem embora. Não era hora de reviver o passado, não agora, que havia voltado pra tentar uma nova vida.
Mais uns 5 minutos, e o carro parou em frente a uma grande casa de um tom verde bem claro, com um belo jardim na frente. Nada havia mudado. Tocou a campainha, sua mãe lhe recebeu com abraços e beijos. Seu pai estava feliz, sua irmã também. Sentiu-se com 17 anos de novo.
Depois de tudo mundo ter se cumprimentado, ela seguiu pelas escadas e entrou no seu quarto. Ao abrir a porta uma rajada de lembranças: os pôsteres, caindo, de suas bandas favoritas, as velhas fotos com seus amigos, e uma velha foto no centro de seu mural, com ele. Seu coração disparou. Ignorou. Jogou as malas num canto do quarto. Precisaria mudar algumas coisas, afinal estava com quase 21 anos. Dirigiu-se ao banheiro para tomar uma bucha e tirar o cheiro de avião que estava em seu corpo. Não reparou que em cima de sua mesinha havia uma carta, um pouco amarelada devido ao tempo, e uma letra masculina caprichosa desenhando seu nome.
Mais uma noite que seria igual a qualquer outra de um ano pra cá. Sairia com seus amigos de banda, ficariam bêbados e com certeza terminaria a noite com alguma garota que no dia seguinte, não se lembraria de seu nome. Estava se trocando, mas nada muito formal, uma calça jeans, uma camisa de manga longa, porém esta dobrada, e uma gravata. Cabelos à la Edward Cullen, e all star. Nada mal. Apesar de estar pronto para mais uma noite, se sentia estranho, estava com uma sensação de felicidade muito estranha. Deve ser por causa do local que iria, todo mundo comentava que o ambiente era bom para dar uma aliviada na tensão. E o que ele mais queria era isso. Mais uma noite. Depois que terminou o seu último relacionamento, tudo que queria agora eram essas noites. Pelo menos, as lembranças não o incomodavam mais. Não mais. Sua ex havia ajudado muito, mas uma parte dessas lembranças sempre fica tipo a cena de um avião decolando com destino ao Brasil. Balançou a cabeça, e se olhou mais uma vez no espelho. Seu celular vibrou, uma mensagem recebida de um amigo falando pra ele descer. Apagou as luzes, bateu e trancou a porta. Desceu as escadarias sorrindo, porém com uma pequena pontada de saudades.
Era cedo pra se deitar, apesar de estar cansada. Não queria dormir agora. Então, vestiu uma calça skinny e uma blusinha branca com all star pretos, e como estava um pouco frio, pegou um casaco e decidiu dar uma volta pela cidade. Queria olhar o movimento de Londres numa sexta a noite, iria a pé mesmo já que o centro da cidade não era longe de sua casa. Olhava cada detalhe enquanto andava. Via as pessoas sorrindo e alegres andando e isso era bom. De longe, ouvia uma música alta, já que o bairro estava quieto o suficiente. Logo o barulho foi se aproximando e ela pode ver da onde vinha o barulho: de um carro com três rapazes dentro, pode ver que estavam bebendo e sorrindo muito. A fisionomia deles não eram estranhas. Parou um pouco para observar, e viu um quarto rapaz saindo da escadaria do prédio em que o carro estava parado. Olhou demoradamente para o rosto do rapaz, o conhecia de algum lugar. Seu olhar foi retribuído e ele, na hora que viu, ficou de boca aberta.
- Vamos cara, entra logo, para de babar na gostosa do outro lado da rua - ela pode ouvir o rapaz que estava no volante falar, e claro que reconhecia aquela voz, era Danny. Quem mais poderia ser? Apesar de anos, sua voz continuava a mesma. Sacudiu, só podia estar delirando, coisa não impossível quando se tratava dela. Mas aí, sua mente pareceu perceber a luz. O cara do prédio, descendo e sorrindo aquele jeito, era ele. Só podia ser Ele. Tom foi entrando no carro, sem tirar os olhos da garota. Parecia tão perplexo quanto ela. Ouviu o carro arrancar e correr com aquele som alto se dispersando pela cidade. Mais uma vez, a ironia do destino. Devia ter m mente que quando voltasse, logo iria vê-lo, mas havia se esquecido desse detalhe. Porém o seu amigo, destino, sempre gostou de lhe mostrar detalhes esquecidos.
Tom não estava conseguindo se concentrar. Não estava interessado naquela noite, naquelas garotas. Definitivamente ele deveria ter ficado em seu apartamento e não ter saído essa noite, ter ficado assistindo qualquer coisa inútil na TV. Agora essa menina ficaria durante mais um século em sua mente. Porque isso? Estava tão bem sem ela durante esses anos que se passaram, sem notícias, sem ver aquele rosto, sem lembrar-se daquele sorriso. Porque sentir tudo isso de novo?
Ela andava meio desconcertada pelas ruas. Parecia que faltava terra debaixo de seus pés. Suas pernas tremiam, seu coração estava acelerado.
Olhava ao redor, pra ver se encontrava aquele rosto de novo. Os anos haviam passado e o tempo só o fazia ficar mais lindo, como poderia? Olhou para o céu, as nuvens carregadas estavam dando sinal de vida. Havia um lugar com umas árvores e um pequeno lugar coberto. Dirigiu-se pra lá antes que ficasse totalmente ensopada.
Saiu daquele ambiente. Não estava mais agüentado ficar lá. Os caras olharam pra ele como se já soubessem o motivo dessa sua partida.  Não estava ligando pra chuva que caia sobre sua cabeça e seu corpo, molhando sua roupa e refrescando sua mente. Era disso que ele precisava. Porém a chuva apertou e ele seguiu para o puxadinho que tinha ali perto, havia uma pessoa lá, sentada no canto, abraçada as suas pernas, cabelos molhados grudados no rosto. Ela chorava.
Ela sentiu alguém sentar perto de si e por reflexo olhou pra ele; Não havia palavras para descrever o sentimento que surgiu em seu peito.
Olharam-se fixamente, como se tudo que queriam fosse dito por olhares. Não sabiam exatamente o que fazer, o que falar, apenas ficaram se olhando. Havia muita coisa não dita que precisava ser esclarecida, mas aquele não seria o momento. Tom chegou mais perto da menina. Ela estava estática. Ele observava cada traço de seu rosto como se fosse a última vez que o olharia.  Ela não agüentava mais, e por impulso e por ouvir seu coração, chegou mais perto do garoto e o puxou para um beijo selando seus lábios com os dele.
Um beijo carregado de saudades, e acima de tudo paixão foi rompido por um momento. Ele encerrou o beijo pensando no que aquela garota estava fazendo com ele. E se ficasse mais um minuto, ele seria o idiota da história esperando por ela todo esse tempo. Era isso que ele queria?
Não estava entendendo a cara de confusão do garoto. E pela sua expressão ela agiu mal. Mas não agüentava mais. Agüentou durante quatro longos anos a saudade, mas agora ela estava perto novamente. Observou ele se levantando e indo para a chuva. Ele se afastava dela, de novo, como no seu sonho alguns anos atrás, ele se afastava como se ela fosse uma maldição, como se ela fosse um sacrifício.  Na verdade, ele era pra ela, um sacrifício. Levantou-se e saiu correndo. Passou pelo garoto jurando que nunca mais olharia em sua cara. Ao chegar a sua casa, entrou em seu quarto e pegou aquela carta. “Você hoje parte e leva contigo o meu coração”. Terminou de ler aquela última frase, procurou qualquer coisa que pudesse se virar daquilo rapidamente. Pegou sua lixeira metálica e jogou o papel lá dentro, com um fósforo acesso. Por impulso foi até seu mural e tirou a foto do meio, a qual estava abraçada por um garoto loiro e sorridente. Observou a lixeira. Não a jogou lá, mas colocou num envelope com tal endereço e atrás da foto escreveu “e hoje eu volto e te entrego ele, não me procure mais”.

16 de março de 2010

If I could, I would change the fate II


O quarto estava vazio. Parecia que a vida dele havia se tornado tão vazia desde então. Perguntava sempre, todos os dias em que olhava para o céu, aonde viu o avião dela partir, aonde tinha errado, aonde tinha deixado de fazer qualquer coisa que ela queria. Ok, às vezes ele era um pouco possessivo, chato e grudento, e sabia que a menina lutava pela liberdade. Ah, e que liberdade que ela tinha! Ela tinha o poder de fazer as coisas no ambiente parecer mais leve, fazer com que o humor da pessoa mudasse em instantes. Porém, será que isso não seria só uma máscara? Será que ela não usava isso para escapar de uma realidade difícil? Tantas perguntas surgiam em sua mente quando ele olhava para aquele céu, era impressão dele ou o sol parecia ter perdido o brilho desde que ele perdera aquele sorriso? Passou a mão entre seus cabelos. Aquele sentimento não passava. Ou era ele que estava ficando louco? Ele tinha quase certeza de que ela, já não pensava mais nele. Ou pensava? Será que tudo havia mesmo sido em vão?
Sua nova vida não parecia nada diferente. Agora que ele havia outra namorada, poderia tentar esquecer tudo que se passou. Mas será que ele realmente conseguiria? Estava ficando cansado de pensar em todas essas escolhas, mas ela havia feito a dela, e não havia pensado nele, certo? Certo, então porque ele pensaria nela?
Decidiu que precisava sair daquele lugar, acabaria enlouquecendo, ainda mais se ficasse forçando sua mente de lembrar cada detalhe. Seguiu para uma praça. Precisava de ar puro. Não que fosse encontrar isso em um meio urbano, porém a praça não era tão longe de sua casa, e também quase ninguém a freqüentava.
Estava se sentindo uma menina que chora por qualquer coisa. Mas ele simplesmente não conseguia entender o porquê daquele sentimento de perda. Não, não conseguia! Ela havia partido sem deixar maiores explicações! E ele, a julgava tão injusta ter feito isso! Parecia que aquele momento estava se repetindo ali, agora, sentindo que o mundo estava caindo sobre sua cabeça.
Observava seu velho all star surrado. Ergueu os olhos para ver o movimento das árvores. Ela estava lá.
Via a menina correndo, com seus cabelos refletindo a pouca luz do sol, balançado. As bochechas salientes... E aquele sorriso! Ela parecia feliz. E vinha em sua direção. Ele acompanhava cada movimento em que o corpo fazia. O jeito que ela mexia os braços. O jeito que ela corria. Percebeu que no instante que ela estava perto, que havia lágrimas em seus olhos.
Estava a ponto de correr e abraçá-la, ao ver os seus braços abertos indo a sua direção. Uma onda de felicidade parecia ter surgido em si, parecia que seu coração estava novamente batendo com toda a força que tinha. Mas logo, quando estava abrindo os braços, a menina desviou dele, e foi correndo, de braços abertos para outro. E no mesmo instante que seu coração dava aquela batida forte, sentiu que poderia ser a última. Viu que o garoto que a abraçava, estava feliz, e que ela também estava. Piscou. Seus olhos estavam umedecidos. Piscou novamente. Lágrimas brotaram. Se xingou em voz alta. Olhou para o local e tudo havia desaparecido.
Estava ficando louco.
Queria fugir. Começou a correr pra longe daquele lugar. Corria o mais rápido que podia. Sentia cada músculo de ser corpo rígido e clamando para que ele parasse. Desobedeceu. Chegou em 5 minutos em seu apartamento. Entrou e bateu a porta com força. No telefone, a luz piscava. Uma mensagem na caixa postal. Apertou uma tecla para que pudesse ouvi-la.
Conseguia ouvir uma respiração falha e depois alguém falando em inglês "I'm sorry, but I need to say.  I know that I was wrong and that is wrong. But you're so much more than a simple memory" (Me desculpe, mas eu preciso dizer. Eu sei que eu estava errada, e que isso é errado. Mas você é muito mais do que uma simples memória) e o barulho de telefone no gancho.

2 de março de 2010

Sacrifice.

(Coloque pra carregar My Sacrifice - Creed)


Sacrifice

O relógio tocou: 05h30min da manhã. Hoje seria um dia que os outros: levantaria cedo, estudaria antes de ir para a aula, seguiria seu caminho, e ficaria na escola até 8 horas da noite. Depois iria trabalhar. Voltaria à meia-noite. Rotina. Como sempre uma rotina que cansa. Dirigiu-se ao banheiro e olhou-se no espelho: cara horrível, com olheiras profundas. Realmente estava precisando de uma BOA noite de sono, sem ter acordar cedo para estudar. Tomou um banho quente, sentiu cada parte de seu corpo aceitar a água que batia em sua pele. Depois, saiu do banho, deu uma ajeitada no visual, não que isso fez melhorar muito sua aparência, mas estava melhor.
Olhou no relógio novamente: 06h30min. Suspirou e sentou-se na cama. Olhou para fora, aonde os raios de sol começavam a aparecer. Seria um dia lindo, porém mais um dia que ela ficaria trancada numa sala. Ouviu um barulho do lado de fora, e olhou pela janela. Deu de cara com ele, somente de boxers andando pra lá e para cá em seu quarto. Não pode deixar de reparar em seu belo físico. Seu lindo vizinho, lindo, porém arrogante dos infernos. Por ironia, sua janela dava de frente a dele, que eram de vidros somente. O quarto dele era particularmente arrumado, e o destaque eram a imensa quantidade de CDs que ele tinha. Sua cama ficava de frente a janela, e ele se sentou. Apoiou os cotovelos nas pernas e colocou a cabeça entre as mãos. Aparentava estar preocupado. Ele olhou para a janela, e percebeu que a menina o olhava.
Tudo bem que ela era insuportável e que vivia em função aos estudos e ao trabalho, mas ela era linda. Pegou um papel e escreveu "O que está olhando?" e mostrou pra ela. Ao ler aquilo, ela soltou uma risada irônica, e o respondeu "Nada, estava na MINHA janela, olhando para fora. Que culpa eu tenho se a SUA janela fica de frente?" Ele riu, escreveu e mostrou "Eu sei que você estava olhando pra mim, não negue", e na hora em que ela leu, ficou vermelha e ele riu ainda mais da cara da menina. Bufou irritada e ao invés de responder, fechou a cortina. Se tacou na cama. Bufou novamente.
- Ele tem o DOM de me estressar logo às... - ela olhou no relógio - 06h45min da manhã! Meu Deus! Não estudei e ainda vou chegar atrasada! - Saiu correndo do quarto, pegou sua bolsa e os livros, bateu a porta de casa, teria uma longa caminhada até a faculdade.
Tom saiu de casa e entrou no carro. Iria para a casa de um amigo. Estava ficando louco de ficar naquela casa. Enquanto dirigia viu a figura de uma menina com cabelos curtos e castanhos, cheia de livros nas mãos, e andando com pressa.
(coloquem a música pra tocar -q PS: se a música terminar antes de terminar de ler, coloquem-na de novo. Ela é importante.)
- Está com pressa é? – ela ouviu alguém dizer enquanto andava em seu passo acelerado. Olhou para o lado e ele estava praticamente estacionando o carro, para falar com ela.
- Não te interessa. - Ela respondeu e acelerou o passo. Era só o que lhe faltava: agora ele a seguia também.
- Entra aqui, que eu te levo. - Ele disse.
- Não.
- Larga a mão de ser chata pelo menos uma vez na vida e entra nesse carro. Sua faculdade é longe. E eu como sou uma alma bondosa estou te fazendo um favor.
- Já te disse que não quero. Estou bem indo a pé. -  ela disse sem olhar pra onde pisava, até que tropeçou numa pedra e perdeu o equilíbrio, não caiu, mas seu material voou longe. - Ha, agora mais essa ainda. - riu irônica.
Ele estacionou o carro e foi ajudar a menina a recolher os livros. Ao se abaixarem juntos, bateram a testa.
- OUTCH! – exclamaram juntos. 

Hello my friend we meet again.
(Olá minha amiga, nos encontramos novamente)
It's been a while where should we begin? Feels like forever.
(Pouco tempo se passou, por onde devemos começar? Parece que foi eterno.)
Within my heart are memories
(No meu coração, há memória)
Of perfect love that you gave to me, oh, I remember
(Do amor perfeito que você me deu, sim, eu me lembro)

Ela já iria xingar ele, mas olhou fixamente em seus olhos, que combinavam perfeitamente com seu tom de pele e seus cabelos loiros bagunçados. Era lindo demais e eles lhe transmitiam a paz... E ela sabia que já o conhecia. Sentiu uma onda de sentimentos chegando, como se fossem alguns anos que estava voltando. Aquelas feições! Como... Como nunca deu conta que era ele? Nem mesmo o tempo poderia apagar de sua memória aquelas feições. O olhar dele para ela. Tudo.

When you are with me
(Quando você está comigo)
I'm free...I'm careless...I believe
(Me sinto livre, despreocupado, eu creio.)
Above all the others we'll fly
(Que por cima de todos iremos voar)
This brings tears to my eyes
(E isso traz lágrimas aos meus olhos)
My sacrifice
(Meu sacrifíco)

 Ele olhava fixamente aqueles grandes olhos castanhos, que o faziam sentir-se aquecido, feliz. Uma sensação boa, de alegria por olhar um rosto conhecido de anos atrás. Agora tinha a certeza, era ela. Ela, aquela menina que pulava muros para visitarem jardins privados, ela que o apoiava em tudo. No fundo sempre soube que aquela implicância era algo. Queria que a mínima distância entre eles terminasse logo. Foi se aproximando lentamente e fechando os olhos, vendo que ela já fechara os dela. Conseguia sentir a respiração descompassada da menina em seu rosto. Ela tremia.

We've seen our share of ups and downs
(Temos vivido nossos momentos altos e baixos)
Oh, how quickly life can turn around in an instant?
(É, como a vida pode dar voltas tão rapidamente em um instante?)
It feels so good to reunite
(Parece ser tão bom reunir)
Within yourself and within your mind
(A sua alma e a sua mente)
Let's find peace there.
(Vamos achar a paz lá.)


*Flashback*
Foi correndo para o menino que se encontrava de braços abertos para recebê-la. Aquela sensação de segurança que somente sentia com ele. Ele sorria, e esse sorriso a fazia sorrir também. Ele via os cabelos dela balançando com o vento, as bochechas levemente coradas, como era linda. Ao se encontrarem, abraçaram-se fortemente. Não queria mais soltar ele, queria tê-lo sempre por perto, saber que ele estaria ali sempre que precisasse. Como ela sentia tudo isso se era tão nova? Não sabia realmente o que era, mas ele lhe trazia a paz.
- VOLTE AQUI! Eu falei pra você não me desobedecer! - a mãe da garota surgiu e lhe tirou de sua paz. - eu lhe disse pra não vir atrás dele! Como pode me desobedecer? 
- Mas... Mas não quero..
- Nada de mais. Isso já passou dos limites. Iremos nos mudar amanhã.
- Não!
A mãe da menina a puxava pelo braço, e ela, em prantos se recusava a soltar a mão dele até que não deu mais, e sentiu sua mão desprendendo fortemente da dele.
Chorava muito enquanto sua mãe lhe colocava no carro a força. Nunca esqueceria o semblante do menino de olhos castanhos lacrimosos e cabelos loiros.
*End Flashback*

Percebeu que a distância entre os dois era a mínima possível, e por mais que relutava por aquele sentimento, decidiu que agora não poderia mais fazer nada. Sentiu um arrepio, e pareceu que o chão estava longe de seus pés, assim que seus lábios nos tocaram dele. Não estava ligando que estavam no meio da rua, com vários livros ao seu redor, para eles tudo havia desaparecido e girava em torno deles.

I Just want to say hello again
(Eu só quero dizer olá de novo)

Partiram o beijo, estavam ofegantes, e parecia que a verdade havia vindo à tona. Não era a toda que sentiam atração, na verdade, sentiam bem mais que isso: paixão. Ela olhou confusa, como que ele pode morar por vários anos ao seu lado, e ela, nunca suspeitar que ele fosse o menino que já amou no passado? Aquele que lhe transmitia a paz? E hoje, o que será dela, se descobrirem que ficaram juntos de novo? Mais uma mudança? Não suportaria ficar longe dele de novo, já chega à dor que passou. Sua mãe não poderia nem se lembrar dele que dava pra perceber que ela mudaria de estado se for preciso. Iria fingir que nada havia acontecido e descoberto, até que sua vida tomasse outro rumo, longe dali. Preferia fingir que o odiava a se separarem novamente. E depois, se ele ainda estivesse por perto iria contar-lhe a verdade. E se não estivesse, ele seria seu sacrifício.
Ele não estava entendendo a cara de confusão dela, queria ficar perto dela agora que descobriu que era seu amor. Logo, percebeu que a menina já havia arrumado seu material e voltado a andar, diga-se correr pra longe dele.
- Irá me abandonar novamente? - ele perguntou quando ela estava do outro lado do quarteirão.
- Não, porém, às vezes é preciso sacrificar-se de algo para poder fazer outro. Eu te odeio.

My sacrifice.
(Meu sacrifício.)

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